quarta-feira, 14 de setembro de 2011

[Letter] Need to go away




Queridos pais e irmão,


           A primeira coisa que peço-lhes é para não se preocuparem.  

       Pego o ônibus do primeiro horário, o que me deixe mais perto de um pouco de paz. Então lá eu descanso. Sinto a angústia durante o percurso. Às vezes meu cérebro questiona o que faço, mas meu coração, como quem afaga uma criança doente, só passa a mão nele e o faz voltar a dormir. Meu coração me guia nessa viagem. Por instinto sei tudo que devo fazer, que caminho seguir. Mesmo nunca tendo estado aqui, é tudo tão conhecido, nostálgico, como se há muito eu tivesse deixado esse lugar para seguir outro rumo. Retornei, porém, para um lugar de paz. Agora sinto a brisa no meu rosto, brincando com meus cabelos. O calor do sol me aconchega. A sombra provocada pelas árvores verdes cheias de frutos me dá o cochilo merecido, depois de tantas horas acordada. Então, como um animal selvagem, trepo nas árvores e me alimento vorazmente da doçura da natureza. Aqui estou. Viva. Finalmente me sinto viva novamente. Macacos me convidam a ir com eles, nessa dança louca da natureza. Há tantas espécies diferentes por aqui, me pergunto como o ser humano pode se considerar o topo da escala evolutiva. Porque o ser humano? Somos tão egocêntricos que não percebemos que são eles que derivam de nós? Eles sim têm a capacidade de amar plenamente, sem preconceitos, vivem em uma sociedade justa, onde o amor e a fome justificam seus atos. Não o ciúmes, a inveja, a avareza. São seres tão evoluídos que esses sentimentos retrógrados e delinquentes não existem mais entre eles. Meu coração me avisa que é hora de partir, a missão foi cumprida. Volto, sem olhar pra trás, lentamente, apreciando cada gota dessa chuva que me molha aos poucos, dentre raios de sol que insistem em continuar ali. Despeço-me em silêncio. O arco-íris guia meu caminho de volta. Logo vocês me verão, estou voltando. E quando o fizerem, não terão coragem de me xingar, pois o brilho dos meus olhos, o sorriso no semblante, a paz de espirito que eu sinto, isso tudo justificará por si só os meus atos. Meu coração que agora está em sintonia com meu cérebro os abraçara, de corpo e alma. Essa foi a filha que vocês fizeram, pai e mãe, foi isso que vocês colocaram no mundo. Prometo que agora fará sentido!


Com amor,
Sua filha





5 comentários:

  1. Soou como carta de despedida, não pense em suicidio flor (olha quem tá falando, pensei nisso hoje mesmo!) sei bem como é, mas não vale a pena tens tanto a viver! Costumo pensar que: As coisas só dão certo quando chega o final, se ainda não deu certo, é porque não chegou o final.

    Respondendo sua pergunta, tenho 1,63 e 66 gordos quilos. :(
    Curso Filosofia, estou no segundo período.

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  2. Adorei.
    Estou pensando em partir, mas sem cartas. Sem nada.
    Apenas um beijo nas pessoas queridas. :(

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